quarta-feira, 23 de outubro de 2024

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Tudo

 

O amor é tudo

Ou é nada,

É um tanto muito

ou um tanto pouco.

O amor

 Amor é o tempo que não se apressa,
É a espera que vale o que há de vir,
É a flor que nasce sem que se peça,
E o voo livre de quem sabe partir.

Pequenas asas

Pequenas Asas

por: Rafael Salomão

 

Pequeno, sem asas,
Cresci aos poucos, devagar.
Do desconforto, brota a sorte
De enfim me encontrar.

Diante de mim, um espelho,
Nele me vejo, inteiro,
A imagem clara, sem receios,
Que agora posso revelar.

Atrás de mim, as asas crescem,
Tento escondê-las, sem parar.
Mas às vezes, livres, vibram,
E ousam se mostrar.

Minhas asas não têm penas,
São feitas de medo e coragem,
Dias de luta e solidão,
E momentos de breve passagem.

Asas que crescem, sempre,
Agora sei: posso voar.
Mas ainda temo as nuvens,
O céu a desvendar.

Ontem, decidi tentar,
abri minhas asas sem medo.

                            Minha mãe me olhou em silêncio,
                              suas lágrimas leves tocaram o ar.
 E desse pequena gota lágrimas
 fizeram-me flutuar.

 não se pode mais desistir.
Há momentos em que é preciso,
mesmo com medo,
voar.

 

domingo, 22 de setembro de 2024

Eu quero ser tudo nesta vida

 Eu quero ser tudo nesta vida,
o eco que ressoa no vazio,
o canto de um pássaro que desafina a dor,
aquele que ama e se perde nas sombras,
a ferida que se cura,
o errante que encontra beleza no caminho,
o instante fugaz que se eterniza no silêncio.

Eu quero ser tudo nesta vida,
o coração pulsante entre as batidas da saudade,
a lágrima que escorre pela face do tempo,
o sussurro do que ficou por dizer,
quero ser a mão que se estende,
o abraço que envolve e dissolve o medo,
o agora que se torna infinito.

Eu quero ser tudo e nada,
a linha tênue entre o riso e o choro,
quero ser a dança das estrelas no céu,
a poesia que brota da angústia,
a pergunta sem resposta,
o labirinto onde me perco e me acho,

Eu quero ser tudo
e nada
Eu quero ser
 

Que verdade importa?

 Que verdade importa?

Um aplauso, que morre no vento,
um sopro breve?
Ou a verdade íntima, que silenciosa nos segura firmes,
Enquanto tudo ao redor desaba e chove?

Talvez seja a paz de carregar dentro de mim o inominável
Ou a certeza de que o tempo não define o imortal,
Que a essência verdadeira não se escreve em aplausos,
Mas em quem somos,
 mesmo que o mundo nos chame de ausentes.

A vida é mais que glórias efêmeras ou destinos traçados,
É o pulsar do invisível que em nós é guardado.
É encontrar, no silêncio, o que as vozes não dizem,
E saber que a verdadeira luz nasce, não fora,
mas onde o olhar não atinge.

No fim, a aclamação é só máscara da solidão,
O coração ressoa no silêncio, em sua canção,
Pois o que importa, não é o aplauso passageiro,
Mas a verdade invisível que levamos no peito inteiro.

Carrossel

Vivemos num carrossel eterno,  
Rodamos no silêncio da alma,  
Sem jamais sair do lugar.  
Tudo parece mover-se,  
Mas o coração permanece imóvel,  
Preso na roda que você criou.

Esse é o mundo que gira,  
Sempre o mesmo,  
Sempre distante.  
E a vida, ah, a vida,  
Só começa quando o carrossel finda,  
Quando o ciclo se desfaz em poeira,  
E o vento leva os restos de tudo  
Que um dia acreditamos ser real.

No fim do giro,  
No fim da dança repetida,  
Descobrimos que o movimento não é caminho,  
Mas o abismo —  
Onde, enfim,  
Nos tornamos livres.