O amor é tudo
Ou é nada,
É um tanto muito
ou um tanto pouco.
Amor é o tempo que não se apressa,
É a espera que vale o que há de vir,
É a flor que nasce sem que se peça,
E o voo livre de quem sabe partir.
Pequeno, sem asas,
Cresci aos poucos, devagar.
Do desconforto, brota a sorte
De enfim me encontrar.
Diante de mim, um espelho,
Nele me vejo, inteiro,
A imagem clara, sem receios,
Que agora posso revelar.
Atrás de mim, as asas crescem,
Tento escondê-las, sem parar.
Mas às vezes, livres, vibram,
E ousam se mostrar.
Minhas asas não têm penas,
São feitas de medo e coragem,
Dias de luta e solidão,
E momentos de breve passagem.
Asas que crescem, sempre,
Agora sei: posso voar.
Mas ainda temo as nuvens,
O céu a desvendar.
Ontem, decidi tentar,
abri minhas asas sem medo.
não se pode mais desistir.
Há momentos em que é preciso,
mesmo com medo,
voar.
Eu quero ser tudo nesta vida,
o eco que ressoa no vazio,
o canto de um pássaro que desafina a dor,
aquele que ama e se perde nas sombras,
a ferida que se cura,
o errante que encontra beleza no caminho,
o instante fugaz que se eterniza no silêncio.
Eu quero ser tudo nesta vida,
o coração pulsante entre as batidas da saudade,
a lágrima que escorre pela face do tempo,
o sussurro do que ficou por dizer,
quero ser a mão que se estende,
o abraço que envolve e dissolve o medo,
o agora que se torna infinito.
Eu quero ser tudo e nada,
a linha tênue entre o riso e o choro,
quero ser a dança das estrelas no céu,
a poesia que brota da angústia,
a pergunta sem resposta,
o labirinto onde me perco e me acho,
Eu quero ser tudo
e nada
Eu quero ser
Que verdade importa?
Um aplauso, que morre no vento,
um sopro breve?
Ou a verdade íntima, que silenciosa nos segura firmes,
Enquanto tudo ao redor desaba e chove?
Talvez seja a paz de carregar dentro de mim o inominável
Ou a certeza de que o tempo não define o imortal,
Que a essência verdadeira não se escreve em aplausos,
Mas em quem somos,
mesmo que o mundo nos chame de ausentes.
A vida é mais que glórias efêmeras ou destinos traçados,
É o pulsar do invisível que em nós é guardado.
É encontrar, no silêncio, o que as vozes não dizem,
E saber que a verdadeira luz nasce, não fora,
mas onde o olhar não atinge.
No fim, a aclamação é só máscara da solidão,
O coração ressoa no silêncio, em sua canção,
Pois o que importa, não é o aplauso passageiro,
Mas a verdade invisível que levamos no peito inteiro.