quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Pequenas asas

Pequenas Asas

por: Rafael Salomão

 

Pequeno, sem asas,
Cresci aos poucos, devagar.
Do desconforto, brota a sorte
De enfim me encontrar.

Diante de mim, um espelho,
Nele me vejo, inteiro,
A imagem clara, sem receios,
Que agora posso revelar.

Atrás de mim, as asas crescem,
Tento escondê-las, sem parar.
Mas às vezes, livres, vibram,
E ousam se mostrar.

Minhas asas não têm penas,
São feitas de medo e coragem,
Dias de luta e solidão,
E momentos de breve passagem.

Asas que crescem, sempre,
Agora sei: posso voar.
Mas ainda temo as nuvens,
O céu a desvendar.

Ontem, decidi tentar,
abri minhas asas sem medo.

                            Minha mãe me olhou em silêncio,
                              suas lágrimas leves tocaram o ar.
 E desse pequena gota lágrimas
 fizeram-me flutuar.

 não se pode mais desistir.
Há momentos em que é preciso,
mesmo com medo,
voar.

 

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